Recuperar a confiança

Os resultados do Edelman Trust Barometer de 2017 trazem resultados preocupantes. Há uma crise de confiança, não só no México, como em todo o mundo. Os 28 países aonde Edelman conduziu esta pesquisa registram o maior colapso na confiança do público nas instituições (governos, meios, empresas e organizações da sociedade civil) desde 2000, data que a Edelman começou a implementar a pesquisa para medir a confiança ao redor do mundo.

No México, a confiança geral nas instituições caiu 11 pontos em relação ao ano passado, na opinião do público mais informado, enquanto na população em geral a queda é de 7 pontos. A sensação é de que o sistema está falhando: 67% dos mexicanos sentem que o sistema é injusto e decepcionante, sendo que somente 8% acredita que ele funciona. O resurgimento do nacionalismo, os medos e a oposição ao estrangeiro (leia-se refugiados e imigrantes), assim como os chamados isolacionistas e o abandono do livre comércio estão freando esse caminho que alguns davam como certe em direção a uma sociedade mais livre, aberta, democrática e transparente. Temos nos deparado, pelo contrário, com muros e proibições, portas fechadas e ouvidos surdos.

Mariana Sanz Lapiedra, Directora General de Edelman México

Mariana Sanz Lapiedra, Directora General de Edelman México

A desconfiança é sintoma ou causa desta situação? O Trust Barometer mostra que é um ciclo que se alimenta ele mesmo. Sentir que o sistema está falhando aumenta nossos medos e inseguranças, o que acentua a erosão da confiança nas instituições que deveriam ajudar a resolver os desafios atuais.

Por isso mesmo, o assombro não pode ser substituído pela inação. Assim como vemos o ressurgimento de inimigos que acreditávamos ter vencido, temos que regressar aos elementos básicos onde inicialmente se constrói a confiança na sociedade: nas famílias, em nosso bairro, na escola, no trabalho, com nossos amigos.  Isto é, em nossas comunidades.

A desconfiança generalizada nas instituições é um sinal de que não nos sentimos representados adequadamente, que tanto o governo como o setor privado, os meios e inclusive as ONGs não estão escutando as pessoas. Queremos um lugar à mesa? Participar nas tomadas de decisão? Então devemos passar à ação. Como lembrou Barack Obama, em seu discurso de despedida, a democracia depende de nossa participação; que o sistema funcione é nossa responsabilidade.

Desde nossa trincheira, as agências de comunicação e relações públicas têm muito trabalho para fazer para ajudar os clientes a navegar por essa complicada conjuntura. Paralelamente, há uma responsabilidade compartilhada por parte de nossos clientes na luta contra a desconfiança. Na Edelman, trabalhamos para evoluir, promover e proteger as organizações e marcas com as quais colaboramos. Esses três eixos não significariam muito se não impulsionássemos nossos clientes a estabelecer um diálogo transparente com suas audiências. Isso é mais necessário do que nunca.

A desconfiança nos meios (no México contam com 47% de desconfiança) é um chamado para que as empresas façam um trabalho profundo em proporcionar informação clara aos consumidores. Os meios são chave e necessários e podemos ajudar a fortalecer seu papel ao trabalhar com eles para chegar aos públicos. A desconfiança no setor privado é um chamado para que as empresas se voltem mais para suas comunidades, para assumir a responsabilidade social como um elemento chave de seu negócio. As agências podemos e devemos trabalhar para estabelecer e fortalecer esta relação.

Sem dúvida, o Edelman Trust Barometer 2017 aponta para um cenário difícil. Mas também nos oferece dados que explicam as causas que nos levaram ao ponto que estamos vivendo, e por isso, nos dá pistas sobre o caminho a seguir para reverter essa situação. Depende de nós que a mudança seja positiva.

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